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Uma ilha. É assim que os moradores da Queimada dos Britos chamam o pequeno oásis em que vivem. Cercada por um mar de areia, a vila fica a algumas horas de qualquer lugar, sempre caminhando pelas dunas.
Aqui todos são parentes, primos casam normalmente entre si.
O fundador foi Manuel Brito, morto há alguns anos e lembrado com saudade pelo filhos e netos. Seu pai teria vindo do Ceará para fugir de uma forte seca que atingia o sertão e acabou fincando morada na única região não arenosa dos Lençóis.
Cerca de 200 pessoas vivem da pesca, o mar está a duas horas de caminhada, e da criação, bem extensiva de gado e bodes que ficam soltos pelas dunas. Praticamente não plantam, com medo de acelerar o avanço das dunas, que já cobriram algumas casas.
Luz elétrica não é sequer um sonho aqui, todos se contentam com a lamparina e uma conversa fiada no início da noite para espantar o sono. O comércio chega à vila no lombo de um jegue, que nem precisa carregar tanto peso assim: fósforos, sabão e querosene são dos poucos produtos consumidos aqui.
Queimada dos Britos merece uma visita pela sua singularidade e beleza. É parada obrigatória para quem se atreve cruzar os Lençóis Maranhenses a pé, seja de Santo Amaro para Atins ou no sentido contrário. Uma comida simples, uma rede, um bom papo com os nativos tornam a acolhida dos viajantes, particularmente agradável.
Partindo de Atins ou de Santo Amaro são aproximadamente seis horas de caminhada até o lugar e mais seis horas para o restante da travessia, mas vale a pena. A Encantes do Nordeste oferece guia para essa travessia, basta ter coragem, tempo e boa preparação física.
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